Faltam estudos para o esporte

[Abril/2010] - Fernando Trevisan **

Não é de hoje que sabemos que o Brasil possui um baixíssimo investimento em ciência, tecnologia e inovação. Mesmo assim, vêm crescendo paulatinamente estudos e trabalhos em todos os campos do conhecimento. O País já percebeu a necessidade de investir neste segmento, embora ainda não seja de forma intensa como deveria ser.

No Brasil, um dos setores que mais estão carentes de pesquisas é o do esporte. Agora, torna-se preponderante tê-las com a vinda de dois dos maiores eventos esportivos do mundo - a Copa de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, na cidade do Rio de Janeiro.

A Caixa Econômica Federal disponibilizou, entre 2005 e 2008, mais de R$ 265 milhões para o esporte brasileiro, por conta da Lei Agnelo Piva (10.264/01) - ou seja, cerca de R$ 66 milhões ao ano, o que não é muito se contarmos que existem 34 esportes olímpicos (última edição dos jogos, em Pequim - 2008). E há modalidades que exigem investimentos mais robustos em pesquisa, como ginástica e nado sincronizado, por exemplo.

Mesmo o futebol, que é muito desenvolvido no Brasil, não há preocupação nesse sentido. Faz-se muita mais avaliação empírica da prática do que propriamente análise aprofundada e baseada na ciência e tecnologia. Trata-se de uma cultura nossa que precisamos mudar e espalhar mais intensamente por outras modalidades esportivas. Isso não quer dizer que devemos nos afastar das observações do dia a dia (que continuam essenciais), mas é importante também nos aproximarmos das estatísticas, do teórico e do hipotético.

Quando tratamos em ciência aplicada ao esporte devemos admitir que estamos atrasados até meio século em comparação aos países mais desenvolvidos. Porém, uma das evoluções na área que o Brasil já teve é a questão da oferta de cursos especializados em gestão do esporte - há uma crescente procura por especialização por parte de profissionais que estão entrando neste mercado e aqueles que já estão há muito tempo no esporte. Neste segmento já há uma produção de pesquisa voltada à administração de recursos que será essencial em um futuro próximo e ainda para evolução de estudos em outras áreas esportivas, como medicina, saúde e nutrição.

Para aumentar esse quadro, porém, é preciso mais intercâmbio de docentes, alunos e pesquisadores com instituições internacionais; produção e desenvolvimento conjunto de publicações com outros países; e organização de seminários e congressos em torno do tema com a presença de especialistas estrangeiros.

Como em qualquer segmento, o país só cresce quando se investe em pesquisa. O Brasil ainda precisa caminhar, e muito, neste campo para conseguir alcançar seus grandes objetivos esportivos nos próximos anos. Em uma indústria que cresce 10 vezes mais do que as outras, é necessários criar vínculos cada vez mais promissores entre agentes do esporte e instituições de ensino para avançarmos a tempo de nos beneficiarmos disso ainda nesta década.

 

Autor: * Fernando Trevisan é diretor geral da Trevisan Escola de Negócios. E-mail: fernando.trevisan@trevisan.edu.br

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