Investimentos em energia e o desenvolvimento do Acre

[Fevereiro/2010] - João Francisco Salomão**

Integração do Acre ao Sistema Nacional Interligado de Energia Elétrica é um avanço importante para nosso crescimento econômico

O PIB brasileiro tem-se desenvolvido à média de 4,5% ao ano, a despeito da queda do nível de atividades em 2009, decorrente da grave crise mundial. Este ano, contudo, o crescimento, segundo todas as estimativas, deverá superar 5%. Ou seja, continuaremos precisando de muita oferta de energia elétrica, para garantir o crescimento sustentado.

Como se sabe, contudo, o País deixou de investir por muitos anos na expansão do sistema elétrico, tanto na geração, quanto na transmissão e distribuição. Tivemos o grave apagão de 2001, cuja principal causa foi a geração aquém da demanda. De lá para cá, verificam-se blecautes, de modo intermitente, em distintas regiões brasileiras, como ocorreu em 10 de novembro último, quando 12 estados ficaram às escuras. Hoje, o problema está mais vinculado à deficiência nas redes de transmissão.

Fica muito evidente que os investimentos em energia elétrica não têm acompanhado, com a mesma velocidade, a evolução econômica do Brasil. Não muito diferente é a situação da população acreana. No início de janeiro, 60% dos moradores do Acre ficaram sem energia por cinco horas. Sem contar as constantes quedas de eletricidade que afetam o estado diariamente.

Entretanto, esses transtornos, felizmente, parecem estar com os dias contados, com a integração do Sistema Acre-Rondônia à Rede Nacional Interligada de Energia Elétrica. O leilão de linhas de transmissão, realizado em maio do ano passado, foi o primeiro passo para o avanço da modernização do sistema elétrico do Estado. O Consórcio Porto Velho-Rio Branco, composto por Eletronorte (49%), Abengoa (25,5%) e CTEEP (25,5%), arrematou o lote D, o qual inclui a construção de duas linhas de transmissão em Rondônia e Acre. A primeira delas, de 188 quilômetros, entre Porto Velho e Abunã, e a segunda entre esta localidade e Rio Branco, com extensão de 299 quilômetros.

Essa novas linhas irão somar-se ao antigo "linhão". Ademais, com a interligação de Acre e Rondônia ao Sistema Interligado Nacional, serão injetados nos dois Estados cerca de 200MW neste primeiro momento. A interligação proporcionará maior estabilidade à transmissão. Hoje, qualquer problema que ocorra em alguma máquina geradora ou na transmissão é suficiente para interromper o suprimento.

O projeto, portanto, proporcionará grandes avanços para as regiões beneficiadas, além de gerar aproximadamente mil empregos diretos. O novo "linhão" será fator primordial para estimular a economia da região, que vem se desenvolvendo de modo significativo com os pólos industriais instalados nas cidades do interior e a futura Zona de Processamento de Exportações (ZPE). Outro ganho é relativo ao meio ambiente, pois, segundo análise preliminar da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), será possível o desligamento de usinas térmicas a óleo diesel na área, que passariam a ser acionadas apenas em emergências.

O investimento na transmissão de energia contribuirá para a consolidação dos projetos industriais em curso no Acre, dentre eles a implantação da Zona de Processamento de Exportações (ZPE). A adequada oferta de energia é ponto decisivo para a conquista da confiança dos investidores, dentre os quais deverão incluir-se sólidas companhias transnacionais. A nova rede transmissão de eletricidade ampliará a possibilidade de instalação de novas plantas industriais, agente imprescindível à contínua evolução do Estado.

O último censo realizado pelo IBGE, em 2000, registrou mais de 557 mil habitantes no Acre. Comparado ao censo anterior o crescimento populacional foi de 3,3% ao ano, número bem acima da média nacional, que ficou em 1,33%.

Diante desses dados, não restam dúvidas de que o novo "linhão" agregará muito valor à população acreana. Sem riscos de falta de luz, mais investimentos serão atraídos aos novos pólos industriais, além do maior conforto e segurança das residências e empresas e maior tranquilidade para o funcionamento de todos os equipamentos e serviços públicos.

Para a nossa sociedade ser atendida com eficácia ainda maior, será preciso agregar ao sistema, além do "linhão", a ampliação da potência, para 230 MW, da subestação de Rio Branco. É de suma importância que esses investimentos sejam feitos. Afinal, neste momento em que a economia brasileira vivencia perspectivas muito otimistas e que o Acre tem substantivos projetos de desenvolvimento industrial, seria inconcebível um gargalo no fornecimento de eletricidade. Assim, são muito bem-vindas a informações sobre as obras do "linhão", que têm sido objeto de cívica mobilização da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) e de toda a nossa sociedade.

 

Autor: *João Francisco Salomão é o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre — FIEAC (salomao@fieac.org.br).

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