[Dezembro/2009] - Antonio Carlos Porto Araujo **
Cento e noventa e dois países discutem a questão climática e os reflexos para a alimentação, fornecimento de água e energia em um mundo cada vez mais habitado, e com recursos naturais se exaurindo.
Nessa floresta de diversidades econômicas, culturais e sociais, evidentemente que as opiniões divergem, esbarrando em pontualidades econômicas especificidades geográficas regionais.
De fato concreto, há conclusões sobre necessidades de adaptação à nova condição climática e eficiência no sistema de monitoramento e diminuição de emissões de gases que aumentam o efeito estufa - com o consequente aquecimento do planeta.
Isso significa que, para ambas as conclusões, haverá imprescindivelmente alocação de intensivos recursos financeiros nas mais diversas áreas de infraestrutura, saúde, alimentação, energia, etc.
Dessa forma, o desenvolvimento de pesquisas em tecnologia e a inevitável transferência para os países emergentes fazem parte da mais ampla discussão e entrave para definição dos acordos.
O Brasil aponta com sugestão para criação de algum tipo de fundo internacional com recursos predominantemente de países desenvolvidos para financiamento em projetos de adaptação e mitigação. Além dessa construção de um fundo, há expectativa para criação de modelos de licenciamento compulsório de patentes em caso de urgências decorrentes de alterações climáticas.
Tratam-se de questões muito delicadas para os países ricos, uma vez que após a grave crise financeira mundial, propostas para aumento de desembolso financeiro causam ojeriza naqueles que terão o poder/dever de aprovar tal proposta.
Mesmo assim, toda a questão climática e seus impactos no meio ambiente requerem novas propostas de desenvolvimento sustentável, e esse novo modelo exige medidas eficientes de disponibilização de investimentos públicos e privados, aptos a evitarem as catástrofes inevitáveis na ausência dessas medidas.
Meio ambiente é desenvolvimento, e esse desenvolvimento exigirá dinheiro. Uma das discussões em Copenhagen é quem pagará esta conta.
Autor: * Antonio Carlos Porto Araujo, consultor de energia renovável e sustentabilidade da Trevisan´. E-mail: antonio.araujo@trevisan.com.br.