[Novembro/2009] - Paulo Skaf**
No Brasil, a indústria foi o setor mais atingido pela crise econômica, da qual estamos emergindo. A reação, porém, poderia ter ocorrido antes, caso o governo tivesse adotado com mais agilidade a flexibilização do compulsório dos bancos, as desonerações tributárias dos veículos e eletrodomésticos e as quedas paulatinas na taxa básica de juros.
A despeito desse descompasso, as perspectivas são animadoras. O risco Brasil é o mais baixo dentre os emergentes. Os indicadores da dívida líquida do setor público e da externa parecem sob controle e os investimentos estrangeiros diretos continuam elevados, em torno de US$ 39,05 bilhões. A produção industrial recupera-se de maneira lenta, com projeção de queda de 7,5% em 2009. De outubro a dezembro de 2008, a retração foi de 20%. Ainda precisamos crescer 9% para voltar aos padrões dos três primeiros trimestres de 2008.
Por outro lado, o incremento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009 livrou o País da recessão técnica, e tudo aponta para uma recuperação continuada. Nesse período, a principal contribuição foi da indústria (2,1%). Em 2010, se fizermos tudo certo, poderemos crescer em torno de 5%, e o setor deverá acompanhar a performance do conjunto da economia.
No novo ano, o Brasil precisa diminuir ainda mais os juros (incluindo os spreads bancários) e baixar os gastos públicos e a carga tributária. Também deve melhorar a segurança jurídica, reduzir a queda dos encargos trabalhistas, aumentar o investimento estatal e ampliar o estímulo para pesquisa e inovação. São lições de casa básicas para a retomada segura do crescimento!
Autor: *Paulo Skaf é o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).